Portos de Lisboa e Setúbal poderão integrar uma holding
A ministra do Mar quer aprofundar a “fusão” entre os portos de Lisboa e Setúbal. No horizonte poderá estar a criação de uma holding, anunciou na conferência promovida pela Comunidade Portuária de Setúbal.

Conferencia Setubal

Uma vez mais, nesta terceira edição da conferência, foi evidente a intenção de Setúbal se assumir como uma solução para a região de Lisboa, ou mais ainda como uma  alternativa ao anunciado terminal do Barreiro. Falando no final da sessão, e depois de dizer “invejar” os que podem falar e emitir opinião sem sofrerem as consequências, Ana Paula Vitorino sustentou que a abordagem não pode ser  feita numa óptica de Lisboa vs. Setúbal, ou como uma “luta de galos”.

“À escala global”, sublinhou, “Lisboa e o Vale do Tejo, incluindo a Península de Setúbal, constituem uma área logística”. “Setúbal não é o irmão mais novo, o parente pobre, mas uma parte integrante”, reforçou a ministra.

Daí a opção de integrar a gestão dos dois portos. A nomeação de uma administração comum foi o primeiro passo, “a forma mais rápida” de iniciar o processo, disse Ana Paula Vitorino. Mas a ideia é ir mais longe. “Já este ano os documentos estratégicos serão apresentados conjuntamente”, anunciou. E “a prazo, pelo menos teremos uma holding para Lisboa e Setúbal”.

Na sua longa intervenção, a ministra do Mar lembrou os investimentos previstos para o porto de Setúbal na Estratégia para o Aumento da Competitividade do Sector Portuário, respondeu a alguns dos oradores (nomeadamente, quanto à cobrança de taxas, sustentando que as receitas são para financiar investimentos, e que com ela os lucros das administrações portuárias são para reinvestir e não para entregar dividendos ao Estado)… mas nada adiantou sobre o terminal do Barreiro.

Setúbal melhor que o Barreiro

Nesta conferência da Comunidade Portuária de Setúbal coube a Mário Lopes, professor do IST de Lisboa, sustentar  a competitividade do porto de Setúbal para servir a região de Lisboa face à alternativa do terminal do Barreiro.

O ex-presidente da Adfersit comparou as duas opções e concluiu que, salvaguardadas as muitas incógnitas que permanecem, Setúbal será uma melhor solução para o tráfego de shortsea, podendo acomodar facilmente, e com menores custos, o esperado crescimento do movimento de contentores de/para a região de Lisboa.

Mário Lopes deixou críticas ao anterior Governo por ter “eliminado administrativamente” o porto de Setúbal da avaliação das soluções para a região, centrando-a no porto de Lisboa, e insistiu em que o actual Executivo considere o porto sadino na equação e que decida sobre o Barreiro com base na competitividade para a economia (porque o Barreiro pode ser viável mas não ser competitivo, avisou).

Depois da de Mário Lopes, a melhor defesa das virtualidades do porto de Setúbal acabou sendo feita por Carlos Vasconcelos. Convidado na qualidade de presidente da Medway, mas sem esquecer a sua “costela” de marítimo, Carlos Vasconcelos sustentou que “Setúbal tem todas as  condições para ser um excelente porto da região de Lisboa”. E sem mencionar o Barreiro, sempre disse que “não faz sentido construir algo de novo, quando se pode aproveitar” a capacidade instalada na bacia do Sado.

O líder da Medway, e da MSC, foi mais longe garantindo que “a distância [de Setúbal a Lisboa]  não é problema”, lembrando que “Sines vingou a 150 quilómetros de Lisboa”.

António Andrade (Tersado) deu também o seu contributo, garantindo que o porto sadino pode  acomodar o dobro das cargas, “praticamente sem investimentos”, ou mesmo ir mais longe, “se passarmos de dois para três turnos”. À cautela, avisou para o risco de “antecipar demasiado os investimentos [no aumento de capacidade], porque criam ineficiências e, logo, sobrecustos”.

Setúbal quer integrar rede “core” da RTE-T

No lançamento da conferência, Porfírio Gomes, presidente da Comunidade Portuária de Setúbal, garantiu que o porto tem “disponibilidade imediata para responder a qualquer solicitação, em qualquer tipo de carga”.

Lídia Sequeira, a mulher que tem a difícil tarefa de gerir os interesses de Lisboa e Setúbal (e tem-no conseguido, foi reconhecido na sessão), afirmou que é preciso “resolver” a integração de Setúbal na rede “core” da Rede Transeuropeia de Transportes e elencou as três prioridades da sua administração: a melhoria das acessibilidades marítimas, a melhoria das acessibilidades terrestres ferroviárias e a modernização tecnológica.

No que toca às acessibilidades marítimas, o concurso para a adjudicação da obra estará na recta final, e o porto disporá depois de fundos de -15 metros no canal da barra e de -13,5 metros no canal de acesso Norte, de um canal mais largo (permitindo o cruzamento de navios) e de uma nova bacia de manobras.

Nas acessibilidades ferroviárias, APSS e IP estão a trabalhar na electrificação da ligação da rede ferroviária nacional à zona central do porto, que permitirá eliminar constrangimentos e reduzir manobras. E quando o Évora-Cai

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