Dragagens em Setúbal sujeitas aos golfinhos


18 Dezembro, 2018 at 19:02porT&Nem MARÍTIMOTweet Share Share
O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) assegurou hoje que o impacto das dragagens do Porto de Setúbal será monitorizado e que a obra poderá parar, caso a comunidade de golfinhos-roazes abandone o estuário do Sado.



Nuno Lacasta foi hoje ouvido na Assembleia da República a pedido urgente do PAN e do PSD, após o Governo ter deferido um pedido de autorização da Administração do Porto de Setúbal para avançar com dragagens no Sado, no âmbito do plano de expansão do porto, um projecto a que a Agência Portuguesa do Ambiente deu um parecer positivo.

De acordo com o responsável, a obra ainda não se iniciou, mas o processo de consulta “decorreu conforme com a lei e as boas práticas”, e a avaliação de impacte ambiental foi “abrangente”, “compreensiva” e “transparente”, sendo o resultado da contribuição de várias entidades.

Nuno Lacasta realçou ainda que o parecer da APA foi favorável, mas apontou uma série de condicionantes e medidas de intervenção em função do impacto das obras na comunidade, que serão tidas em conta por uma monitorização constante por várias entidades.

Entre estas condicionantes está a não realização de dragagens entre Maio e Outubro, a não utilização de métodos de ruído que afaste os roazes, a realização de estudos ecológicos, a monitorização continuada e o acompanhamento ao longo dos trabalhos das zonas a dragar.

“A APA desempenhará o papel de guardião deste acompanhamento”, afirmou, admitindo que as dragagens previstas são de “grande dimensão”.

Por outro lado, afiançou que a zona de intervenção tem pouco impacto para os pescadores da área, porque a pesca “praticamente não se desenvolve no local onde está prevista a intervenção”.

Nuno Lacasta admitiu que as areias dragadas para a expansão do porto poderão ser utilizadas para o assoreamento das praias da Arrábida e adiantou que irá ser estudado o impacto que o eventual assoreamento terá no ecossistema que, entretanto, se formou devido à perda de areia daquelas praias.

As dragagens, que numa primeira fase retirarão 3,5 milhões de toneladas de areia do estuário do Sado, têm merecido a contestação de diversos movimentos cívicos de Setúbal e de associações ambientalistas como a Zero e a Quercus, por considerarem que põem em causa a classificação ecológica do estuário e a protecção de golfinhos.

T&N

© APIBARRA 2007 - Todos os direitos reservados   |   Produzido por ETNAGA