Saiba o que vai mudar no Porto de Leixões - parte 1
Mais espaço para contentores, mais 300 metros metros de quebra-mar e um novo porto de pesca. É esta a carteira de investimentos anunciada para aumentar a competitividade do Porto de Leixões, em Matosinhos. No entanto, a ampliação do molhe não reúne consenso. Os surfistas temem perder as ondas na praia de Matosinhos e acreditam no aumento da poluição das águas. As câmaras de Matosinhos e do Porto, que também teme efeitos nas suas praias, já manifestaram as suas preocupações ambientais, económicas e urbanísticas. Sem a obra, a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo afirma que o porto não consegue dar resposta aos clientes. Saiba tudo sobre a polémica.

O que é que vai mudar no porto de Leixões?
Existem três projetos diferentes pensados para aumentar a competitividade do porto de Leixões: a reconversão do terminal de contentores sul; a construção de um novo terminal; e o prolongamento do quebra-mar exterior, o aprofundamento da bacia do canal de acesso e da bacia de rotação de Leixões e a requalificação do porto de pesca.
A 8 de fevereiro, a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, apresentou o projeto de reconversão do terminal de contentores sul, a concretizar com recurso a fundos privados. A Yilport, grupo portuário a operar em Leixões, vai investir mais de 43 milhões de euros no aumento da capacidade do terminal, aliviando o atual congestionamento do porto.
No mesmo mês, Ana Paula Vitorino lançou o concurso para as obras de prolongamento do quebra-mar exterior e de aprofundamento do canal de entrada, anteporto e bacia do porto. Prevê-se ainda a criação de um novo terminal de contentores, com um investimento privado de 70 milhões de euros. Simultaneamente, a APDL vai promover a melhoria das condições de operação do porto de pesca, com a construção de um novo cais de acostagem, um entreposto frigorífico e uma fábrica de gelo. Estas intervenções, inscritas na Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de Portos Comerciais do Continente - Horizonte 2026, representam um investimento público de 147 milhões de euros.

Por que razão a APDL vai construir mais 300 metros de quebra-mar na praia de Matosinhos?
De acordo com a APDL, a obra vai melhorar as condições de navegabilidade na barra e permitir a captação de navios de maior dimensão. Baseando-se em estudos realizados para medir os impactos da ampliação do molhe, a administração portuária nega que a construção vá acabar com o surf e descarta um possível aumento da poluição. Ainda assim, admite impactos pouco significativos na altura das ondas na Praia de Matosinhos.

Quais os impactos da obra?
O estudo de impacto ambiental conclui que apesar dos "impactos negativos na paisagem e nas condições para a prática de desporto de ondas nas praias de Matosinhos e Internacional", a obra é "viável do ponto de vista ambiental". O documento refere que "o potencial de impacte negativo é limitado e minimizável".
Em agosto de 2018, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) deu luz verde ao estudo de impacto ambiental. O projeto de modernização do porto de Leixões recebeu um parecer favorável condicionado. A APA determinou uma série de medidas de preservação ambiental e patrimonial que devem ser cumpridas, assim como a elaboração, no prazo de cinco anos, de um estudo sobre o impacto das obras no surf e na economia local. É ainda reconhecido que "a situação afetará não só praticantes de desportos de ondas, mas também as escolas (...) e restantes atividades económicas relacionadas com a prática".

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