Portos do continente movimentaram menos carga até maio
A Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) emitiu novo relatório sobre as transações nos portos nacionais. Uma das conclusões a retirar é que nos primeiros cinco meses deste ano, registou-se um recuo de 2,2% face ao período homólogo de 2018.

Em maio deste ano, o movimento acumulado de carga no sistema portuário foi de cerca de 37,6 milhões de toneladas, -833,7 mil toneladas do que o movimento registado no período homólogo de 2018. Este comportamento explica-se essencialmente pela redução do volume de importações de Petróleo Bruto (-1,15 milhões de toneladas) e pelas perturbações laborais verificadas no porto de Sines, contribuindo para uma quebra de -773,9 mil toneladas. Sines, Lisboa, Figueira da Foz e Faro registaram desempenhos negativos, com quebras de, respetivamente, -4%, -4,6%, -15,6% e -4,3%.

Os portos de Leixões e Aveiro merecem particular destaque pois mantêm os volumes de carga mais elevados de sempre nos períodos entre janeiro e maio, com acréscimos respetivos de +3,1% e de +1,2%.

Mesmo com as perturbações laborais registadas em Sines, este porto conseguiu registar um aumento de +588,2 mil toneladas no movimento de Produtos Petrolíferos.
O porto de Sines perde a maioria absoluta em termos de tonelagem movimentada, passando a deter uma quota de 49,6%, seguido de Leixões (21,9%), Lisboa (12,4%),
Setúbal (7,6%) e Aveiro (5,9%).

Os Produtos Petrolíferos registaram o valor mais elevado de sempre nos primeiros cinco meses deste ano ao ultrapassar 7,8 milhões de toneladas. Também a carga Ro-Ro, embora com uma quota apenas de 2,1%, cresceu +18,9%, assinalando também a sua melhor marca.

Nos primeiros cinco meses deste ano, o movimento de contentores registou uma variação global negativa de -0,9% no volume de TEU movimentado (-10,6 mil TEU). Este desempenho é explicado pelas perturbações laborais observadas em Sines, que resultaram em -40,8 mil TEU movimentados, e também pela variação negativa registada no porto de Lisboa, de -1,5%. O efeito conjugado destes desempenhos anulou o comportamento positivo dos outros portos – como é o caso de Leixões que cresceu 12,1%, a sua marca mais elevada de sempre.

Importa referir que o registo negativo verificado em Sines foi induzido exclusivamente pelo tráfego de transhipment, que representou 70,4% do movimento total do porto e caiu -16,1% para 451,4 mil TEU, porquanto o tráfego com o hinterland cresceu +31,6% para um volume superior a 190,1 mil TEU.

Ainda neste segmento, sublinha-se que o porto de Sines continua a liderar, detendo
uma quota de 53,8%, seguindo-se Leixões (24,3%), Lisboa (15,9%), Setúbal (5,3%) e
Figueira da Foz (0,8%).

No que respeita ao movimento de navios, comparativamente ao período janeiro-maio de 2018, os cinco primeiros meses de 2019 observaram um decréscimo de -1,6% no número de escalas (4406 escalas) e um aumento no volume de arqueação bruta de +1,9% (84,2 milhões). Os portos de Leixões e Lisboa registaram um crescimento no número de escalas de, respetivamente, +2,2% e +0,7% para 1082 e 1050 escalas efetuadas.

Em termos de fluxos de carga, a variação global observada no movimento portuário entre janeiro e maio de 2019 foi negativa para os embarques e desembarques, com quebras respetivas de -3,9% e de -1%, respetivamente.

Os Produtos Petrolíferos e Carga Contentorizada em Sines, os Outros Granéis Sólidos em Lisboa e a Carga Fracionada no porto da Figueira da Foz contribuíram significativamente para o impacto negativo das operações de embarque, registando, respetivamente, -15,3% e -6,7%, -23,2% e -21,5%. Com impacto positivo destaca-se a
Carga Contentorizada (+20,8%) e Carga Fracionada (+29,6%) em Leixões e os Minérios (+43,1%) em Setúbal.

No que diz respeito às operações de desembarque, onde se incluem as importações, destacam-se as variações negativas de Petróleo Bruto em Sines e em Leixões, com quebras de, respetivamente, -19% e -20,3%, e ainda a Carga Contentorizada em Sines, que diminuiu -13,6%. Importa salientar que estes três mercados traduzem 80% do total das quebras registadas nas operações de desembarque. Com impacto positivo mais significativo assinala-se o mercado dos Produtos Petrolíferos em Sines, que registaram um acréscimo superior a um milhão de toneladas, seguido dos Outros Granéis Líquidos, também em Sines, com +185,7 mil toneladas.

Viana do Castelo, Figueira da Foz, Setúbal e Faro são os portos que apresentam um perfil de porto “exportador”, registando um volume de carga embarcada superior ao da carga desembarcada, com um quociente entre carga embarcada e o total movimentado, no período em análise, de 64,7%, 72,7%, 54,8% e 100%, respetivamente.

No seu conjunto, estes quatro portos representam uma quota de carga embarcada de
14,9% (10,4% destes respeitam a Setúbal).

Fonte: Transportes e Revista
por: Sara Pelicano

© APIBARRA 2007 - Todos os direitos reservados   |   Produzido por ETNAGA